O Epicurista Portuense

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Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PORTO> TRIPAS> Restaurante REI DOS GALOS DE AMARANTE




Depois da óptima surpresa de há cerca de uma semana no Restaurante Rei dos Galos de Amarante, fiquei com o sentido na cabeça e água na boca com a descrição da D. Maria Roda sobre a arte de bem cozinhar tripas. Hoje fui ao tira teimas e que tira teimas…

EPICURISTA ME CONFESSO*****

Começo por salientar a evolução da nota 4 para a 5. A razão: fabulosas tripas!

Esta é realmente uma grande casa de comida, um verdadeiro achado do bem cozinha na cidade do Porto, com matéria-prima de grande qualidade a um valor fantástico.

As tripas no ponto. O molho sem o toque de farinha que muitos tem para ficar menos aguado. A tripas muitíssimo bem lavadas e com uma cor fora do vulgar. O feijão cozido como deve ser.

Ao fim de três jornadas de tripas no prato, dei por concluído o campeonato, mas com muita pena minha porque a travessa estava vazia, senão a gula continuava a tentar-me. E não sei porquê , mas a verdade é que apesar de uma iguaria pesada ao estômago, parecia que tinha acabado uma refeição de dieta. Enfim uma das melhores tripas da cidade do Porto.

Depois, e com o andamento que estava, não resisti e fechei em beleza: requeijão com doce de abóbora com amêndoa. E que prolongamento, porque o difícil foi conseguir para de jogar com os sentidos e sensações.

O jarro de vinho da casa, não sei de honesto se muito bom, mas que soube pela vida, sem dúvida nenhuma.

Conta na mesa, e deixei lá com muito prazer 9,30€…

Fabuloso, a não perder!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

BRUXELAS> CENTRO> Restaurante TAVERNE DU PASSAGE


A Taverne du Passage não poderia morar em melhor local, nada mais nada menos que nas lindíssimas Galeries Royales Saint-Hubert.Inaugurada em 1928, esta casa recebe todos os dias os seus clientes, entre o meio-dia e a meia-noite.
Esta brasserie com arquitectura Art Deco, e uma tripulação de garçons de jaqueta branca impecavelmente engomado, recria uma atmosfera maravilhosa, característica de outra época.
O famoso pintor surrealista René Magritte era assíduo cliente neste clássico restaurante, que não mudou muito desde a sua época.
Do menu fazem parte algumas das principais especialidade da cozinha belga - Les croquettes aux crevettes (croquetes de camarão), Les anguilles (enguias), Les Moules (mexilhões), Le waterzooie (cozinhado à base de um cozido de frango ou peixe) - e francesa. O presunto (Le jambon d'Ardennes) tem também muita fama nesta grande instituição. A carta de vinhos é reconhecida e excepcional e inclusivamente já ganhou um prémio.
EPICURO ME CONFESSO*****
Por sugestão de um amigo, tive a oportunidade de dar um presente aos meus olhos e umas boas sensações ao palato.
A refeição privilegiada foi o jantar, e em vez do interior do restaurante ficamos numa mesa envolvida em plenas Galeries Royales Saint-Hubert.
Começamos com um vinho Bourgognes Blanc  (27€), honesto porque a carta de vinho que era uma verdadeira aventura. Repartimos como entrée a spécialité de la maison - croquettes aux crevettes (13 €). Depois como plat eu fui por um tártaro magnífico acompanhado por umas batatas fritas excelentes, apelidado por lá de Le filet américain (16,50€). O meu amigo não me recordo o que degustou. Para fechar tão memorável refeição, a minha preferência foi por uma baba au rhum "Negrita" (8,50€) aconselhada pelo experiente garçon. A conta final, a dividir por dois, deu quase 40€ “por cabeça”.
Para além do charme, esta Taverne du Passage é uma verdadeira casa de comida em Bruxelas. É caso para dizer “valeu a pena” e até um dia destes…

BRUXELAS> CENTRO> RUE DU BOUCHERS> Restaurantes



Bruxelas tem milhares de pessoas que por lá passam diariamente em trabalho ou turismo. É por isso uma cidade de excelência para os menos sérios se aproveitarem.
Os restaurantes em redor da Grand-Place, apesar de atractivos à vista, são normalmente uma armadilha aos forasteiros. Estão normalmente cheios de gentes, com empregados à porta, chatos e insistentes, que mostram menus/preços que depois na verdade nada têm a ver com a realidade.

Depois de nos sentarmos é que nos apercebemos: a simpatia já não é a mesma, tudo o que era fácil passa a ser difícil, o serviço é mau, a matéria-prima que chega à mesa trabalhada com pouca arte, para não falar na dolorosa final.

EPICURO ME CONFESSO*

Já estive quatro vezes em Bruxelas, das quais duas me sentei neste tipo de restaurantes e ambos na mesma zona, na Rua Du Bouchers, próximo da Grand-Place.
Apesar de ser uma rua com aspecto tradicional e atraente, com restaurantes seguidos de ambos os lados e um passeio estreito pedonal ao centro, o resultado final foi sempre o mesmo: um assalto à carteira, um serviço mau e uma gastronomia que não deixa memória.

Como são dezenas de restaurantes, acredito que haja excepções à regra, mas a atitude à porta é invariavelmente semelhante, as publicidades aos menus vs preço similares, e os relatos de amigos sempre com o mesmo desfecho.

As minhas experiencias tiveram um saldo entre os 40€ e os 50€ por pessoa.

Por isso, desaconselho vivamente sentar arrais nesta rua, e ficarmos só pela sua vivencia pedonal e pelo pano de fundo para algumas fotografias.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PORTO> TASQUINHO> Restaurante REI DOS GALOS DE AMARANTE



O Rei dos Galos de Amarante convive há cerca de 35 anos na baixa, na Rua das Taipas – 121, mesmo ao lado da Antiga Cadeia da Relação, actualmente o Centro Português de Fotografia. Aberto todos os dias da semana, ao almoço e jantar, encerra para justo descanso ao fim-de-semana, excepto se ao sábado algum grupo reserve presença antecipadamente.
Nasceu como uma adega típica onde servia uns petiscos e vinho directamente do pipo, era muito procurada por tertúlias estudantis, tendo sido inclusivamente baptizada neste meio por «academia do rei dos galos», simbolicamente assinalada com uma placa de mármore da parede. Passaram por estas mesas jovens estudantes como, por exemplo, Siza Vieira.Com a saída de muitas das faculdades do centro da cidade, a casa sofreu e evoluiu para restaurante regional, com muita pena da gerência.
Os donos, um casal natural de Amarante, são de grande simpatia e um cartão-de-visita do bem receber portuense. A D. Maria Rosa manda na cozinha e o Sr. Rodrigo no balcão e nas mesas.
A diária é uma autentica oferenda gastronómica aos deuses, composta por: (2ª) desfeita; (3ª) favas com presunto e frango na caçarola; (4ª) feijão à transmontana; (5ª) tripas à moda do Porto e arroz de pato; (6ª) cozido à portuguesa e coelho à caçador… e todos os dias, desde que marcado de véspera, um arroz de cabidela de frango do campo, muito consagrado entre a freguesia.
EPICURO ME CONFESSO****
Almocei nesta casa dos Pereiras na passada 3ª feira e tive a oportunidade de degustar as favas com presunto e provar o frango na caçarola.
Quanto às favas, divinais. Muito tenras e gostosas, com um presunto no ponto, e um caldo muito apuradinho, daqueles que o pão agradece. O frango também muito bom, bem alourado e com umas batatas às rodelas verdadeiras e bem fritas, acompanhas com uns grelos frescos.
No final, tive a oportunidade de falar com a patroa da cozinha, a D. Maria Rosa, que me explicou como faz as suas tripas, e confesso que ainda estou com água na boca, mas que vou poder tirar numas destas próximas quintas-feiras. À despedida aconselhou-me que na próxima visita prove também o requeijão com doce de abóbora feito por ela…
Quanto à conta, muito em conta. Meia dose de favas por 6€ e meia de frango por 7,50€, pelo que a minha parte valeu bem os 8€ que lá deixei.
O Rei dos Galos é uma morada que conjuga a arte de bem cozinhar com um ambiente familiar, acolhedor e muito castiço. Enfim, o que se pode chamar uma verdadeira casa de comida!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MACEDO CAVALEIROS> TASQUINHO> Restaurante Choupada (ou) 5 Croas


O Restaurante Choupada, mais conhecido por 5 Croas, fica na Choupada, em Macedo de Cavaleiros. Como é muito conhecido, quando chegar ao centro de Macedo pergunte aonde fica que é a maneira mais fácil de lá chegar. Se tiver dúvidas pode-as tirar através do telefone da casa: 278 421 556.

Aberto todos os dias ao almoço e ao jantar, mas atenção que à noite fecha relativamente cedo, pelo que se chegar depois das 21h30 o mais provável é ficar sem jantar.

O espaço é muito simples, sem qualquer preocupação de requinte, patroneado na sala pelo Sr. Armando, o dono, e na cozinha pela sua mulher.

EPICURO ME CONFESSO****

Enquanto esperava pela Posta à Choupada, na mesa umas boas azeitonas caseiras e um pão que não se encontra nos grandes centros urbanos entretinham o meu tempo.

Não tinha passado muito tempo, quando pela mão do timoneiro deste barco, chegou à mesa a tão aguardada posta de carne, acompanhada de uma salada de alface de horta caseira e a tradicional batata cozida. Eu como gosto muito de batatas fritas e nesta casa são muito boas, pedi ao Sr. Armando que acedeu ainda que a contragosto.

A matéria-prima é de grande qualidade, bem grelhada, muito saborosa, tenra e suculenta. Como aprecio a carne muito mal passada, solicitei, visto que normalmente a carne aqui vem a meio termo.

A acompanhar o vinho maduro tinto da casa, que é de produção local e do próprio, que é um vinho típico de lavrador, puro e honesto, mas que casa muito bem com a posta.

Finalmente, e para terminar em beleza, um queijo com marmelada e doce de abóbora da casa excelente.

A conta final ficou-se por uns bem dados 10€ “por cabeça”, que tendo em conta a qualidade e quantidade da carne deve dar que pensar a muito bom talhante. A Posta à Choupada, que dá à vontade para 2 pessoas, vale 12€; queijo com marmelada e doce de abóbora fica-se pelos 2€.

Por tudo isto e muito mais que não consegui transmitir e mostrar, este é um ponto de paragem obrigatória para quem andar por estas bandas.

FESTAS> MACEDO CAVALEIROS> Feira da Caça e do Turismo


Este fim-de-semana decorreu em Macedo de Cavaleiros a Feira da Caça e do Turismo. De informação turística tinha pouco, aliás o nosso país é normalmente muito pouco feliz a promover as suas melhores coisas, mas turistas como eu, uns quantos. Quanto à Caça, como não sou praticante nem tão pouco fã, não sei se era boa ou não, mas tinha umas quantas barracas interessantes adjacentes, nas quais destaco uma de Amarante de calçado artesanal, outra de roupas em lã da Serra da Estrela e uma de bonés de campo com uma enorme variedade.
Finalmente, a melhor zona, que era constituída por gastronomia regional. Não tendo muitos expositores da casa, o que é pena porque estamos numa zona onde se come muito bem, uma mostra rica em queijos, enchidos, licores caseiros e pastelaria tradicional. Aqui destaco uma proveniente do Sabugueiros e de seu nome “Enchido Serrano” (sito na Rua das Barreiras – Sabugueiro - Seia), com uma fabulosa bola de enchidos e queijo da serra. A acompanhar bebi de uma barraca próxima uma sangria de ginja, que provei pela primeira vez e foi uma agradável surpresa à boca.
EPICURO ME CONFESSO**
Vir à Feira pela Feira, na minha opinião não vale a pena. Aproveitar a Feira como motivo para um fim-de-semana em Macedo de Cavaleiros, onde completamos o programa com uma boa posta de carne à mesa e uma dormida em ambiente confortável e agradável já me parece uma boa opção.
E foi isso que aconteceu…

domingo, 29 de janeiro de 2012

PORTO> TASQUINHAS> Taberna A BADALHOCA



A Taberna A Badalhoca, ou vulgarmente só chamada no burgo por “Badalhoca”, vive há mais de 120 anos junto às traseiras do Colégio do Rosário, na Rua Dr. Alberto Macedo - 437, em Ramalde.
Referenciado em cima do Balcão como da “Família Zuzarte”, e única em Portugal segundo os próprios, a grande timoneira e a cara da casa é a D. Lurdes, mais conhecida por Badalhoca, que comanda com autoridade os restantes serviçais.
Com uma clientela que atravessa transversalmente todos os estratos sociais, subscrevo o que um dia li e se referia que é nessa mistura que se compõe um ambiente familiar e extremamente democrático
Do almoço até perto das 8 da noite, menos ao Sábado à tarde e ao Domingo, a Badalhoca não tem mãos a medir, enquanto o marido, Sr. Fernando, passa o tempo, impávido e sereno, mecanicamente à volta da máquina a fatiar o presunto. O filho Alfredo é como um “pião das nicas”, dando uma mão onde é necessário.
Sou cliente há muitos anos, até porque habitamos no mesmo bairro do Pinheiro Manso, e ainda conheci esta “toca” com serrim no chão, mas actualmente trocaram essa pratica pela tijoleira, mas a evolução foi coerente e não deixou que qualquer modernidade estragasse a mística.
Continua um “ninho” boavisteiro, com fotografias e noticias a decorar, e com o fanatismo dos Zuzartes a não se moderar, mesmo com o Boavista a fazer a travessia no deserto.
Em frente mora a Padaria deles, um importante braço direito da Tasca da Badalhoca, com pão sempre fresco e de grande gabarito. O porco é bom, mas o segredo está na conjugação do pão estaladiço e saboroso com o presunto bem fatiado e “fresco”, ou não vendessem mais de 100 pernas por mês.
EPICURO ME CONFESSO****
Apesar de mais de uma dezena de opções disponíveis para os comensais, e que vão das postas de bacalhau às iscas de fígado, das tripas ao bucho, passando pelas bifanas, e das muito solicitadas canecas de vinho da casa (nomeadamente o espadal), confesso que a minha primazia nesta casa são as sandes de presunto.
Ainda esta semana, passei por cá e por gula parei para comer uma sandes de presunto e beber uma Super Bock em garrafa, mas não resisti aos meus instintos e só consegui acabar à terceira.
Este é sem dúvida um canto deste nosso Porto a voltar. Quando a Primavera chegar e os dias aumentarem, vale a pena ao final de tarde dar “dois dedos de conversa” e vir aqui degustar umas sandes de presunto e uma cerveja ao ar livre, à porta da Badalhoca.
O preço é também muito convidativo: 3 sandes de presunto (1,40€/cada), mais uma cerveja Super Bock em garrafa (1,50€), e aquelas mãos que tanto albergam o dinheiro como servem presunto, receberam 4,30€.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PORTO> TRIPAS> Restaurante REGALEIRA




O restaurante Regaleira habita no centro da baixa, mais concretamente na Rua do Bonjardim – 87. Está aberta todos os dias, excepto ao Sábado.
Desde que nasci que lá vou, por isso sinto-me da casa e assim sou tratado por todos os amigos que trabalham lá. Esta fotografia descobria aqui no meu arquivo fotográfico de família, e é de um grupo de amigos do meu avô, que durante décadas semanalmente se reunião nesta verdadeira casa de comida portuense.
Aberta em 1933, está próxima de celebrar 80 anos de porta aberta. A arquitectura interior, fiel ao passar do tempo desde 1952, tem a curiosidade de ter sido criada por jovem arquitecto portuense da altura, Alfredo Coelho de Magalhães, que em 1980 foi eleito presidente da Câmara Municipal do Porto.
É um clássico portuense, que marca a história da gastronomia do nosso burgo, que mantém ao leme o senhor Augusto e o senhor Manuel há décadas.
Nos nossos dias, a principal referencia pelo que este restaurante é citado advém de ter sido a fundadora da nossa portuense Francesinha, construída em 1952 por um empregado da casa chamado Daniel, e que este ano se tornou sexagenária.
Por considerar que a Regaleira é muito mais do que a Francesinha, hoje escrevo sobre as suas Tripas à Moda do Porto, ficando para próxima visita a escrita sobre a Francesinha.
EPICURO ME CONFESSO****
Esta é uma casa conservadora, eu diria mesmo saudosista, com um serviço experiente e uma clientela fiel. Com uma sala grande e um balcão comprido, quando se passa a porta parece que recuamos umas décadas no tempo.
A carta é abonada, e a matéria-prima de qualidade e sem grandes criatividades, a um preço justo e equilibrado.
Tem um fino, que deve ser pedido para servirem em copo baixo, muito bom, e que para quem ande com sede ao final da tarde na baixa portuense, merece também uma paragem no balcão, e se a fome apertar a acompanhar com um prego em pão de grande qualidade, daqueles que se comem com os lábios.
Às quartas-feiras é dia de tripas à moda do Porto e, por isso, foi hoje o meu almoço e, como eu gosto, sentado naquela barra à antiga, muito bem patroneada pelo Alberto. Ao meu paladar estão certamente entre as de minha preferência cá pelo nosso burgo, pelo que aconselho a sua escolha. Uma nota castiça, quando pedi picante, em vez do usual liquido serviram-me um pires com sementes de piri-piri, e a parceria foi claramente vencedora.
No final a conta ficou-se pelos 7,40€, divididos pelas tripas (5,50€), fino (1,20€) e café (0,70€). À mesa fica um pouco mais caro, mas à mesma muito em conta.