O Epicurista Portuense

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Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> CACHORRINHOS> Cervejaria GAZELA




A Cervejaria Gazela mora há mais de 50 anos na Batalha, mesmo ao lado do Teatro São João, na primeira casa da Travessa do Cimo da Vila – 4. Aberto todos os dias da semana, do meio-dia até às 22h30, tem o justo descanso ao fim-de-semana.

Com uma barra de cerca de 20 lugares a toda a volta do altar de trabalho dos seus sábios artesões, não existe mesas neste espaço, apenas mais uma prateleira de fora, que dá apoio a quem em pé vai satisfazendo a gula.

Quem aqui se senta, não precisa de cardápio, porque já sabe para o que vai. O rei da casa é o conhecido Cachorrinho da Batalha, que pode ser complementado com um prego no pão, ou para os que não dispensam à refeição a faca e garfo, o prego em prato.

A Gazela apesar de típica é muito conhecida entre os portuenses, tendo entre os fiéis gente eclética e de todas as idades. À hora de almoço e jantar a casa cheia é a quem mais ordena, mas como quem lá vai é para comer e dar a vez, a espera por o valioso lugar na barra é breve. No resto do dia nunca está às moscas, mas a pressão sobre a produção amaina, e o balcão descansa de tanto entra e sai.

EPICURO ME CONFESSO*****

Gosto de ir à Gazela fora das horas de ponta, o que aconteceu mais uma vez na minha última visita. Cheguei cerca das 15h, e à volta do balcão estavam cerca de 10 pessoas. Perfeito para começar com enorme satisfação esta jornada de degustação.

Ao serviço estavam 2 dos 5 intervenientes que esta casa tem a rodar entre si, que davam conta de todo o trabalho. O senhor Américo, um dos sócios, com mais de 40 anos atrás deste balcão, foi o meu interlocutor.

Pedi um tradicional 1+1, que mais não é que quando sair o primeiro cachorrinho o segundo já esta a caminho, e assim quando terminar o de abertura não é preciso esperar pelo outro porque ele já esta a caminho da barra.

Enquanto ansiosamente esperava pelos “bichinhos”, pedi um príncipe, sempre a estalarem de frescos e com gola de espuma bem desenhada.

Para fechar, pedi um prego em pão, outra das propostas seguras desta casa.

A conta é sempre em conta, e dois cachorros (2,80€ cada), um prego em pão (2,80€) e um príncipe (1,30€) ficaram por uns bem gastos 9,70€.

Estes célebres cachorrinhos da Batalha, que tal como as boas Francesinha, são também já um símbolo da gastronomia portuense.

E vir à Gazela é sempre um acontecimento de boa memória. É que para além dos célebres cachorrinhos, é importante lembrar que para esta barra saem também um dos melhores finos do burgo. Esta combinação é claramente vencedora, pelo que na nossa memória fica sempre registado o “v” de volta… e de preferência rápida…

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Casa Guedes




O Snack-Bar Guedes, mais conhecido por Casa Guedes mora na Praça dos Poveiros - 130, em plena Baixa.
O Guedes foi tomado pelos irmãos Correia de Baião, César e Manuel ao balcão e suas mulheres na cozinha, há 23 anos, mantendo esta casa de grande tradição cá do burgo, de frequência eclética na idade e interclassista nos ofícios.

O espaço é pequeno mas acolhedor, com quatro mesas e cinco lugares na barra, mais o “santuário” que alberga o pernil em cima do balcão.
Os Correia oferecem aos seus comensais diversas sensações divinas ao paladar, como a suas conhecidas Sandes de Pernil, sandes de porco preto e um queijo da serra exclusivo da casa, para além de refeições diárias ao almoço, feitas à moda antiga, como o arroz de cabidela, vitela assada, bacalhau à braga ou à Gomes de Sá.

EPICURO ME CONFESSO****
Tinha pouco tempo para almoçar, não mais que meia-hora, pelo que decidi por uma passagem pela “Guedes”, sempre local de boa memória qualquer hora do dia.
Cheguei com pouca fome, mas no final do primeiro round com a sandes de pernil, que a mastiguei mais com os lábios do que com os dentes, a gula venceu o estômago e tive de lhe dar mais trabalho.

O pernil óptimo, muito tenro e apetitoso, com picante no ponto, a sair por fora de um pão de mistura aquecido. Antes de ser emparelhado, um apontamento digno de referência, o de passar ainda pelo molho.

A acompanhar um verde da casa, proveniente de Baião, leve com 10,5% e cor ainda turva. Pedi um copo, mas deixou-me também a garrafa. Quando pedi o segundo, disse-me simpaticamente que “faça o favor de se servir que vai ver que até lhe sabe melhor”… E soube mesmo.

Para terminar em beleza, outro clássico da “Guedes”, o queijo com doce de abóbora feito lá, que é como se diz “de comer e chorar por mais”. O queijo pode ser da serra, que orgulhosamente refere “Fabrico Especial para a Casa Guedes – Celorico da Beira” ou mais mundano o que Quinta de Arcas.
A registadora à antiga, processo uns justos 10,60€, por 2 sandes de pernil (2,50€ cada), 2 flutes de vinho verde da casa (1€ cada), o queijo de Arcas com doce de abóbora (3€) e um café (0,60€).

Enfim, tudo o que deixa boa memória deve ser recordado, pelo que a próxima visita a esta verdadeira Casa de Comida deve ser muito em breve…

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PORTO> TRIPAS> Restaurante REGALEIRA




O restaurante Regaleira habita no centro da baixa, mais concretamente na Rua do Bonjardim – 87. Está aberta todos os dias, excepto ao Sábado.
Desde que nasci que lá vou, por isso sinto-me da casa e assim sou tratado por todos os amigos que trabalham lá. Esta fotografia descobria aqui no meu arquivo fotográfico de família, e é de um grupo de amigos do meu avô, que durante décadas semanalmente se reunião nesta verdadeira casa de comida portuense.
Aberta em 1933, está próxima de celebrar 80 anos de porta aberta. A arquitectura interior, fiel ao passar do tempo desde 1952, tem a curiosidade de ter sido criada por jovem arquitecto portuense da altura, Alfredo Coelho de Magalhães, que em 1980 foi eleito presidente da Câmara Municipal do Porto.
É um clássico portuense, que marca a história da gastronomia do nosso burgo, que mantém ao leme o senhor Augusto e o senhor Manuel há décadas.
Nos nossos dias, a principal referencia pelo que este restaurante é citado advém de ter sido a fundadora da nossa portuense Francesinha, construída em 1952 por um empregado da casa chamado Daniel, e que este ano se tornou sexagenária.
Por considerar que a Regaleira é muito mais do que a Francesinha, hoje escrevo sobre as suas Tripas à Moda do Porto, ficando para próxima visita a escrita sobre a Francesinha.
EPICURO ME CONFESSO****
Esta é uma casa conservadora, eu diria mesmo saudosista, com um serviço experiente e uma clientela fiel. Com uma sala grande e um balcão comprido, quando se passa a porta parece que recuamos umas décadas no tempo.
A carta é abonada, e a matéria-prima de qualidade e sem grandes criatividades, a um preço justo e equilibrado.
Tem um fino, que deve ser pedido para servirem em copo baixo, muito bom, e que para quem ande com sede ao final da tarde na baixa portuense, merece também uma paragem no balcão, e se a fome apertar a acompanhar com um prego em pão de grande qualidade, daqueles que se comem com os lábios.
Às quartas-feiras é dia de tripas à moda do Porto e, por isso, foi hoje o meu almoço e, como eu gosto, sentado naquela barra à antiga, muito bem patroneada pelo Alberto. Ao meu paladar estão certamente entre as de minha preferência cá pelo nosso burgo, pelo que aconselho a sua escolha. Uma nota castiça, quando pedi picante, em vez do usual liquido serviram-me um pires com sementes de piri-piri, e a parceria foi claramente vencedora.
No final a conta ficou-se pelos 7,40€, divididos pelas tripas (5,50€), fino (1,20€) e café (0,70€). À mesa fica um pouco mais caro, mas à mesma muito em conta.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PORTO> FRANCESINHA> Restaurante-Marisqueira GAMBAMAR


O Restaurante-Marisqueira Gambamar mora na Rua do Campo Alegre – 110. Com mais de 35 anos de actividade, está aberto todos os dias das 12h até perto das 2h.

Mantém uma traça tradicional, não entrando em grandes modernidades, mas continua com uma sala confortável, pouco barulhenta e uma barra de meter inveja a muito boa casa. Com um ambiente privilegiado e acolhedor, é muito frequentado por empresários e políticos, mas também ponto de encontro de forças vivas do nosso burgo.

A matéria-prima é de primeira qualidade e a cozinha e o snack experiente. Os mariscos de primeira água. A carta diária curta, com muito poucas alterações ao longo do ano, a um preço equilibrado.

EPICURO ME CONFESSO***

Vou com regularidade ao Gambamar, mas Francesinha é escolha rara por esta paragem. Normalmente sigo por um seguro Bife à Russa e ao sábado pelas tripas.

Mas como estava num registo de Francesinhas, aí veio ela com um prato de batatas frias a acompanhar. Não posso dizer que fiquei desiludido, porque ilusão não a tinha criado antecipadamente. O molho é soft, bom para quem se quer iniciar a esta modinha, mas curto de boca para consagrados. O bife em vez da carne assada, ao meu paladar não ajuda, muito menos muito passado como estava. O equilíbrio de sabores do produto final é honesto, mas a gula pede mais.

O fino bom, sem ser memorável.

Francesinha (9,80€), batata frita (1,60€), 2 finos em copo baixo (2,60€) e café (0,90€), e a conta ficou por 15€.

O Gambamar continua no meu roteiro, mas não para degustar uma Francesinha. Bom local para um almoço de trabalho e óptimo escolha para uma refeição solitária ao balcão.

sábado, 14 de janeiro de 2012

BARCELONA> BARCELONETA> Cervesaria VASO D’ORO


A Cervesaria Vaso D’Oro está localizada em Barceloneta, na Calla Balboa - 7. Está aberta todos os dias, das 9h às 0h00.

Este é um bar tradicional de tapas da Catalunha, com uma decoração clássica onde se destacam a madeira e os azulejos decorativos, quase que em forma de navio, com os camareros impecavelmente vestidos de marinheiros. A barra é longa, mas sempre muito concorrida, e o melhor é mesmo esperar pela vez, porque qualquer tempo aqui não é dado como mal empregue. A pequena dimensão e a morfologia estreita promovem uma atmosfera simpática e sociável, onde o tempo passa a correr.

O Vaso D’Oro tem uma boa frequência, acomodando no seu espaço maioritariamente locais e alguns estrangeiros de visita regular à cidade.

Tem a fama de ter a melhor cerveja da cidade, de produção artesanal feita na casa. Aqui não se tiram as cervejas de uma forma tradicional, é de boca aberta com o copo pousado a ver-se a espuma a crescer. Depois vai o camarero com uma espátula de madeira fazer uma raspagem na boca do copo seguida de mais um curto preenchimento, e com um orgulho catalão muito característico o pousa com força em cima da barra.

A combinação de uma cerveja fantástica e bem gelada e de boas tapas, torna este lugar num porto seguro, excepcional e autentico, onde custa levantar para ir embora.

EPICURO ME CONFESSO…*****

Do que conheço de Barcelona, o Vaso D’Oro tem a minha preferência. Apesar de o espaço ser pequeno e sempre com muita gente, tudo é incrivelmente bom. A começar pelo ambiente, passando pelos camareros que falam alto mas são de uma atenção e profissionalismo irrepreensível, até à matéria-prima que é digna de recordação. A cerveja da casa é memorável e todas as tapas óptimas.

Levando em conta que não estamos a falar de um Restaurante e que é difícil estar em Barcelona e não passar com regularidade pelo Vaso D’Oro, a visita aqui tem os seus custos, mas no final nunca o investimento é dado como mal empregue.

Patatas Bravas, Patatas Aliñadas, Pimentos Padron, Solomillo com Foi (partido em bocados) e atún partilhado por duas pessoas ao que se somaram as cervejas, e a dolorosa bateu nos €40.

SITE: não tem

BARCELONA> CENTRO> Cervesaria CATALANA


A Cervesaria Catalana fica situada no Centro, na Calla Mallorca – 236. É um ponto de encontro de muita e boa gente, de grupos de amigos a jantar e com a casa normalmente cheia.

É um típico bar de tapas, requitado qb, com barra e mesas. A atmosfera é muito animada, o que torna um bom local para um jantar prolongado com amigos ou um ponto de partida antes de uma incursão pela marcha catalã…

Têm uma grande diversidade de tapas e a sua qualidade é muito boa, a um bom preço.

Como muitas vezes a fila é considerável, o melhor é telefonar antecipadamente a marcar, ou então aproveitar o tempo de espera para uma cervesa e uma tapa.

EPICURO ME CONFESSO…****


A Cervesaria Catalana é um ponto de paragem obrigatório numa visita a Barcelona, nomeadamente ao jantar, e com a certeza que se dá como muito bem empregue o tempo lá passado. À saída o mais difícil é mesmo ter vontade de ir dormir.

A última vez que tive o prazer de lá jantar, tive a oportunidade de degustar as seguintes tapas:

Plato Pan Tomate; Ensaladilla Russa; Pescadito Frito; Pimientos Padron; Patatas Bravas; Tortilla Patatas; Alcachofas; Croquetas e Cervesas. O saldo final para duas pessoas foi de €48…

SITE: não tem

BARCELONA> CENTRO> Restaurante TAPAS24



O restaurante TAPAS24 fica situado no Centro, na Calla Diputació – 269. Está aberto de segunda a sábado, das 9h às 24h.

Este local pode ser considerado um bar de tapas gourmet, porque a partir de tapas tradicionais o conhecido chef Carlos Abellan - que durante 10 anos fez parte da equipa do El Buli - desenvolveu uma carta de tapas criativas.

A decoração está bem conseguida, e claramente tenta recriar com modernidade e evolução os tradicionais bares de tapas catalães. O espaço tem mesas e barra e é requintado qd.

O Tapas 24 é uma forma dispendiosa de degustar tapas inserido numa boa atmosfera, mas pouco concorrencial com a magnífica oferta que existe em Barcelona.

EPICURO ME CONFESSO…**

Foi para mim na última passagem por Barcelona a “pedra no sapato”. Do que tinha lido e ouvido falar, a visita prometia muito mas o desfecho nem tanto.

A atmosfera é muito agradável, a qualidade da matéria-prima muito boa, supervisionada por um dos chef mais conhecidos de Espanha, mas o produto final muito aquém dos sabores das tapas tradicionais. Somando a isto, as racion pequenas e o preço muito elevado, foram um convite para riscar o TAPAS 24 do meu roteiro de comensal.

O resultado final do jantar, tendo como pedido uma única racion de cada, para duas pessoas foi de €77,80… Pan, Patatas Bravas, Bombes de La Barceloneta, McFoi Burguer, Lacon Iberic, Carxofes, Ensaladilla Russa com Picos de Jerez, Tonyina, Tapa d’Or, Crema Catalana acompanhadas por uma Sangria de Cava.