O Epicurista Portuense

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Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...

domingo, 4 de março de 2012

PORTO> FRANCESINHAS> BUFETE FASE



O Bufete Fase mora nas imediações da Praça do Marquês, na Rua Santa Catarina – 1143. Aberto de segunda a sábado, entre o meio-dia e as 21h30, e com uma pausa entre as 16h e as 18h para descanso das máquinas.
Casa muita afamada cá no burgo entre os fiéis comensais da francesinha, recheada de prémios e menções honrosas, tem construído ao longo de quase 30 anos o seu bom nome na praça, não caindo na tentação de passar do artesanal para o industrial.

A sala tem cerca de 5 mesas e um pequeno balcão onde algumas pessoas se atrevem de pé a degustar a sua francesinha, tem atrás do balcão o seu mestre José Pinto, que trabalha com habitual arte e gosto, porque o produto final não é feito de excesso de pressas. Na sala, a filha, sempre atenciosa e simpática, chega para as encomendas.

EPICURISTA ME CONFESSO****
Não arrisco a ir a este bufete que não seja fora do horário habitual de refeição. No meu caso, o ideal é sentar as pernas debaixo destas mesas por volta das 14h, porque é a forma de chegar, ver e vencer. Nas horas de ponta, é estar com paciência para esperar, que confesso não tenho nenhuma.

Quanto à Francesinha, justiça lhe faz a fama que tem, porque é realmente um dos melhores exemplares que o Porto leva até à mesa. O molho, normal ou picante, é muito bom, mas a minha preferência vai mesmo para a versão mais apetitosa. A matéria-prima é seguramente de grande qualidade, e o produto final tem alguns apontamentos interessantes como, por exemplo, o pão ser torrado e depois barrado com manteiga, antes de ensanduichado.  

Na minha apreciação, só não dou nota máxima porque acho uma falha grave, em casa tão tradicional e de boa matéria-prima, a opção pelas batatas congeladas de saco. Quanto a mim o único aspecto a mudar.

Quanto à conta, honesta. Uma Francesinha, um fino e um café e o valor andou pelos €12.
Portanto, mais uma grande Casa de Comida do Porto, obrigatória no roteiro de qualquer apreciador de francesinha. Bem haja!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MATOSINHOS> TRADICIONAL> RESTAURANTE COSTA


O Restaurante Costa mora em Matosinhos, na zona mais rústica e tradicional da Rua Roberto Ivens – 205. Aberto ao almoço e jantar, sem hora exacta de fecho, é melhor só não bater à porta ao domingo, porque é o único dia da semana que não abrem.
Esta é uma típica casa de comida familiar, de porta aberta há mais de 50 anos, que vai na experiente segunda geração. A clientela é na sua maioria amiga e fiel há muitos anos, mas quem entra pela primeira vez nesta sala sente-se de certeza bem neste ambiente tão acolhedor.
A cozinha é tradicional portuguesa, com uma matriz muito caseira, chefiada desde sempre pela viúva do fundador, que tão bom nome deu a esta casa.
O timoneiro desta casa é o Fernando, chamado por muitos de Costa, que não o sendo também não se desfaz. É o genro da grande artesã de comida deste Restaurante, patroneando a sala com muita sabedoria e proximidade.
Tudo o que vem para cima desta mesa é proveniente de boa matéria-prima e confecionado com sabedoria e conservadorismo, mas destacam-se como especialidade o pernil de porco (cozido ou assado), o cozido à portuguesa, o arroz de frango caseiro, a cabeça de pescada, o peixe-galo com açorda de ovas e, na época, o capão.
EPICURISTA ME CONFESSO****
Este é um dos meus poisos favoritos quando estou com a gula a dar horas, mas não sei o que comer para a satisfazer. Nessa altura, pouco tempo perco a pensar e logo telefono ao Fernando a perguntar “hoje o que me dás de jantar?”…
Chegando à porta, estacionamento não é também problema, porque mesmo em frente ao Costa convive um parque de estacionamento privado para os comensais.

Mal nos sentamos, somos logo presenteados com broa e azeitonas, enquanto as pataniscas de bacalhau e as petingas, que completam as entradas habituais, vão para o tacho cozinhar.
Confesso que não sei se a carta de vinhos é grande ou pequena, porque o verde branco e tinto da casa, adquirido pelo Fernando na fonte, é de grande categoria.
Neste último jantar fui no pernil de porco cozido, acompanhado por uns fantásticos legumes, frescos e verdadeiros, ao melhor nível do melhor do que se pode encontrar no nosso burgo. Simplesmente uma dádiva divina na terra.
As sobremesas são passeadas de carrinho até à mesa, e vão das tradicionais rabanadas ao queijo com marmelada.
Quanto aos investimentos por aqui, como nunca vi a lista não os sei precisar, mas sei que pago quase sempre a módica quantia de €15 por cabeça, o que para o produto é manifestamente um bom investimento.
Quanto ao capão, este é também uma referencia por aqui obrigatória. Em dezembro, por altura da sua feira em Freamunde, o Fernando traz cerca de uma centena, que até ao final de Fevereiro já foi todo para a mesa. A minha preferência vai para o Capão à Bordalesa, que é de se comer e chorar por mais. Pena é que para o atacar é preciso pelo menos uma quadrilha à mesa.
Em resumo, uma verdadeira casa de comida portuguesa, de ambiente familiar, que recomendo e aconselho a não perderem mais tempo para a visitar…

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> CACHORRINHOS> Cervejaria GAZELA




A Cervejaria Gazela mora há mais de 50 anos na Batalha, mesmo ao lado do Teatro São João, na primeira casa da Travessa do Cimo da Vila – 4. Aberto todos os dias da semana, do meio-dia até às 22h30, tem o justo descanso ao fim-de-semana.

Com uma barra de cerca de 20 lugares a toda a volta do altar de trabalho dos seus sábios artesões, não existe mesas neste espaço, apenas mais uma prateleira de fora, que dá apoio a quem em pé vai satisfazendo a gula.

Quem aqui se senta, não precisa de cardápio, porque já sabe para o que vai. O rei da casa é o conhecido Cachorrinho da Batalha, que pode ser complementado com um prego no pão, ou para os que não dispensam à refeição a faca e garfo, o prego em prato.

A Gazela apesar de típica é muito conhecida entre os portuenses, tendo entre os fiéis gente eclética e de todas as idades. À hora de almoço e jantar a casa cheia é a quem mais ordena, mas como quem lá vai é para comer e dar a vez, a espera por o valioso lugar na barra é breve. No resto do dia nunca está às moscas, mas a pressão sobre a produção amaina, e o balcão descansa de tanto entra e sai.

EPICURO ME CONFESSO*****

Gosto de ir à Gazela fora das horas de ponta, o que aconteceu mais uma vez na minha última visita. Cheguei cerca das 15h, e à volta do balcão estavam cerca de 10 pessoas. Perfeito para começar com enorme satisfação esta jornada de degustação.

Ao serviço estavam 2 dos 5 intervenientes que esta casa tem a rodar entre si, que davam conta de todo o trabalho. O senhor Américo, um dos sócios, com mais de 40 anos atrás deste balcão, foi o meu interlocutor.

Pedi um tradicional 1+1, que mais não é que quando sair o primeiro cachorrinho o segundo já esta a caminho, e assim quando terminar o de abertura não é preciso esperar pelo outro porque ele já esta a caminho da barra.

Enquanto ansiosamente esperava pelos “bichinhos”, pedi um príncipe, sempre a estalarem de frescos e com gola de espuma bem desenhada.

Para fechar, pedi um prego em pão, outra das propostas seguras desta casa.

A conta é sempre em conta, e dois cachorros (2,80€ cada), um prego em pão (2,80€) e um príncipe (1,30€) ficaram por uns bem gastos 9,70€.

Estes célebres cachorrinhos da Batalha, que tal como as boas Francesinha, são também já um símbolo da gastronomia portuense.

E vir à Gazela é sempre um acontecimento de boa memória. É que para além dos célebres cachorrinhos, é importante lembrar que para esta barra saem também um dos melhores finos do burgo. Esta combinação é claramente vencedora, pelo que na nossa memória fica sempre registado o “v” de volta… e de preferência rápida…

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Casa Guedes




O Snack-Bar Guedes, mais conhecido por Casa Guedes mora na Praça dos Poveiros - 130, em plena Baixa.
O Guedes foi tomado pelos irmãos Correia de Baião, César e Manuel ao balcão e suas mulheres na cozinha, há 23 anos, mantendo esta casa de grande tradição cá do burgo, de frequência eclética na idade e interclassista nos ofícios.

O espaço é pequeno mas acolhedor, com quatro mesas e cinco lugares na barra, mais o “santuário” que alberga o pernil em cima do balcão.
Os Correia oferecem aos seus comensais diversas sensações divinas ao paladar, como a suas conhecidas Sandes de Pernil, sandes de porco preto e um queijo da serra exclusivo da casa, para além de refeições diárias ao almoço, feitas à moda antiga, como o arroz de cabidela, vitela assada, bacalhau à braga ou à Gomes de Sá.

EPICURO ME CONFESSO****
Tinha pouco tempo para almoçar, não mais que meia-hora, pelo que decidi por uma passagem pela “Guedes”, sempre local de boa memória qualquer hora do dia.
Cheguei com pouca fome, mas no final do primeiro round com a sandes de pernil, que a mastiguei mais com os lábios do que com os dentes, a gula venceu o estômago e tive de lhe dar mais trabalho.

O pernil óptimo, muito tenro e apetitoso, com picante no ponto, a sair por fora de um pão de mistura aquecido. Antes de ser emparelhado, um apontamento digno de referência, o de passar ainda pelo molho.

A acompanhar um verde da casa, proveniente de Baião, leve com 10,5% e cor ainda turva. Pedi um copo, mas deixou-me também a garrafa. Quando pedi o segundo, disse-me simpaticamente que “faça o favor de se servir que vai ver que até lhe sabe melhor”… E soube mesmo.

Para terminar em beleza, outro clássico da “Guedes”, o queijo com doce de abóbora feito lá, que é como se diz “de comer e chorar por mais”. O queijo pode ser da serra, que orgulhosamente refere “Fabrico Especial para a Casa Guedes – Celorico da Beira” ou mais mundano o que Quinta de Arcas.
A registadora à antiga, processo uns justos 10,60€, por 2 sandes de pernil (2,50€ cada), 2 flutes de vinho verde da casa (1€ cada), o queijo de Arcas com doce de abóbora (3€) e um café (0,60€).

Enfim, tudo o que deixa boa memória deve ser recordado, pelo que a próxima visita a esta verdadeira Casa de Comida deve ser muito em breve…

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PORTO> TRIPAS> Restaurante REI DOS GALOS DE AMARANTE




Depois da óptima surpresa de há cerca de uma semana no Restaurante Rei dos Galos de Amarante, fiquei com o sentido na cabeça e água na boca com a descrição da D. Maria Roda sobre a arte de bem cozinhar tripas. Hoje fui ao tira teimas e que tira teimas…

EPICURISTA ME CONFESSO*****

Começo por salientar a evolução da nota 4 para a 5. A razão: fabulosas tripas!

Esta é realmente uma grande casa de comida, um verdadeiro achado do bem cozinha na cidade do Porto, com matéria-prima de grande qualidade a um valor fantástico.

As tripas no ponto. O molho sem o toque de farinha que muitos tem para ficar menos aguado. A tripas muitíssimo bem lavadas e com uma cor fora do vulgar. O feijão cozido como deve ser.

Ao fim de três jornadas de tripas no prato, dei por concluído o campeonato, mas com muita pena minha porque a travessa estava vazia, senão a gula continuava a tentar-me. E não sei porquê , mas a verdade é que apesar de uma iguaria pesada ao estômago, parecia que tinha acabado uma refeição de dieta. Enfim uma das melhores tripas da cidade do Porto.

Depois, e com o andamento que estava, não resisti e fechei em beleza: requeijão com doce de abóbora com amêndoa. E que prolongamento, porque o difícil foi conseguir para de jogar com os sentidos e sensações.

O jarro de vinho da casa, não sei de honesto se muito bom, mas que soube pela vida, sem dúvida nenhuma.

Conta na mesa, e deixei lá com muito prazer 9,30€…

Fabuloso, a não perder!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

BRUXELAS> CENTRO> Restaurante TAVERNE DU PASSAGE


A Taverne du Passage não poderia morar em melhor local, nada mais nada menos que nas lindíssimas Galeries Royales Saint-Hubert.Inaugurada em 1928, esta casa recebe todos os dias os seus clientes, entre o meio-dia e a meia-noite.
Esta brasserie com arquitectura Art Deco, e uma tripulação de garçons de jaqueta branca impecavelmente engomado, recria uma atmosfera maravilhosa, característica de outra época.
O famoso pintor surrealista René Magritte era assíduo cliente neste clássico restaurante, que não mudou muito desde a sua época.
Do menu fazem parte algumas das principais especialidade da cozinha belga - Les croquettes aux crevettes (croquetes de camarão), Les anguilles (enguias), Les Moules (mexilhões), Le waterzooie (cozinhado à base de um cozido de frango ou peixe) - e francesa. O presunto (Le jambon d'Ardennes) tem também muita fama nesta grande instituição. A carta de vinhos é reconhecida e excepcional e inclusivamente já ganhou um prémio.
EPICURO ME CONFESSO*****
Por sugestão de um amigo, tive a oportunidade de dar um presente aos meus olhos e umas boas sensações ao palato.
A refeição privilegiada foi o jantar, e em vez do interior do restaurante ficamos numa mesa envolvida em plenas Galeries Royales Saint-Hubert.
Começamos com um vinho Bourgognes Blanc  (27€), honesto porque a carta de vinho que era uma verdadeira aventura. Repartimos como entrée a spécialité de la maison - croquettes aux crevettes (13 €). Depois como plat eu fui por um tártaro magnífico acompanhado por umas batatas fritas excelentes, apelidado por lá de Le filet américain (16,50€). O meu amigo não me recordo o que degustou. Para fechar tão memorável refeição, a minha preferência foi por uma baba au rhum "Negrita" (8,50€) aconselhada pelo experiente garçon. A conta final, a dividir por dois, deu quase 40€ “por cabeça”.
Para além do charme, esta Taverne du Passage é uma verdadeira casa de comida em Bruxelas. É caso para dizer “valeu a pena” e até um dia destes…

BRUXELAS> CENTRO> RUE DU BOUCHERS> Restaurantes



Bruxelas tem milhares de pessoas que por lá passam diariamente em trabalho ou turismo. É por isso uma cidade de excelência para os menos sérios se aproveitarem.
Os restaurantes em redor da Grand-Place, apesar de atractivos à vista, são normalmente uma armadilha aos forasteiros. Estão normalmente cheios de gentes, com empregados à porta, chatos e insistentes, que mostram menus/preços que depois na verdade nada têm a ver com a realidade.

Depois de nos sentarmos é que nos apercebemos: a simpatia já não é a mesma, tudo o que era fácil passa a ser difícil, o serviço é mau, a matéria-prima que chega à mesa trabalhada com pouca arte, para não falar na dolorosa final.

EPICURO ME CONFESSO*

Já estive quatro vezes em Bruxelas, das quais duas me sentei neste tipo de restaurantes e ambos na mesma zona, na Rua Du Bouchers, próximo da Grand-Place.
Apesar de ser uma rua com aspecto tradicional e atraente, com restaurantes seguidos de ambos os lados e um passeio estreito pedonal ao centro, o resultado final foi sempre o mesmo: um assalto à carteira, um serviço mau e uma gastronomia que não deixa memória.

Como são dezenas de restaurantes, acredito que haja excepções à regra, mas a atitude à porta é invariavelmente semelhante, as publicidades aos menus vs preço similares, e os relatos de amigos sempre com o mesmo desfecho.

As minhas experiencias tiveram um saldo entre os 40€ e os 50€ por pessoa.

Por isso, desaconselho vivamente sentar arrais nesta rua, e ficarmos só pela sua vivencia pedonal e pelo pano de fundo para algumas fotografias.